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Ortografia
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Monossílabos átonos, como artigos, preposições e pronomes oblíquos (de, em, a, com), não têm autonomia fonética — apoiam-se em outra palavra e são pronunciados com menor intensidade.
Monossílabos átonos se apoiam foneticamente em palavras adjacentes e nunca levam acento gráfico. Ex.: de, sem, em, a, com, por, que.
Dígrafo é o conjunto de duas letras que representam dois fonemas distintos.
ERRADO. Dígrafo é o conjunto de duas letras que representam um único fonema (um único som). Exemplos: CH em 'chá', NH em 'banha', RR em 'carro', GU em 'guerra'.
Referência
✅ ch em 'chá' → dígrafo (2 letras, 1 som)
❌ pr em 'prato' → encontro consonantal (2 letras, 2 sons)
Os dígrafos consonantais CH, LH, NH, QU, GU, RR, SS, SC, SÇ, XC e XS representam, cada um, um único fonema (um único som), diferente dos encontros consonantais, em que cada letra tem seu próprio som.
Dígrafo: 2 letras, 1 som. Ex.: 'lhama' (LH), 'guerra' (GU), 'passo' (SS). Encontro consonantal: 2 letras, 2 sons. Ex.: 'brado' (BR), 'claro' (CL).
Em 'qualidade', o 'qu' funciona como dígrafo, assim como em 'quero'.
ERRADO. Em 'quero', 'qu' é dígrafo (o 'u' é mudo, há um único som /k/). Em 'qualidade', o 'u' é pronunciado, formando um ditongo (qua-li-da-de) — portanto, não é dígrafo.
Referência
✅ 'quero' → QU é dígrafo (u mudo, 1 som de /k/)
❌ 'qualidade' → QU não é dígrafo (u pronunciado, forma ditongo)
Diferente do dígrafo, o encontro consonantal representa a sequência de dois fonemas consonantais, em que cada letra tem seu próprio som, como em 'brado', 'claro' e 'transtorno'.
No encontro consonantal, cada letra = 1 som. No dígrafo, 2 letras = 1 som. Reconhecer essa diferença é essencial para contar fonemas e letras corretamente.
Referência
✅ 'brado' → BR é encontro consonantal (2 sons)
✅ 'chuva' → CH é dígrafo (1 som)
Algumas palavras compostas, por terem perdido a percepção dos elementos constituintes, grafam-se sem hífen por aglutinação: girassol, mandachuva, paraquedas, pontapé.
Em 'girassol', o falante não percebe mais 'gira+sol'. Essas palavras constam expressamente na regra das compostas que perderam noção de composição.
Referência
✅ girassol, mandachuva, paraquedas, pontapé → sem hífen
❌ gira-sol, manda-chuva → incorreto
As sequências AM, AN, EM, EN, IM, IN, OM, ON, UM, UN, quando nasalizam a vogal no interior da palavra (não no final), são classificadas como dígrafos nasais.
CERTO. Nessas posições, M ou N apenas nasaliza a vogal anterior, representando um único som nasal. Ex.: campo (AM = ã), vento (EN = ẽ), limbo (IM = ĩ), ombro (OM = õ).
Referência
✅ AM em 'campo' → dígrafo nasal (2 letras, 1 som: ã)
✅ EM em 'tempero' → dígrafo nasal (2 letras, 1 som: ẽ)
O dígrafo nasal (como AM em 'amplo') representa um único som vocálico nasal, enquanto o ditongo nasal (como AM no final de 'falam') representa dois sons — vogal mais semivogal.
Dígrafo nasal: UM som (ã em 'amplo'). Ditongo nasal: DOIS sons (AM final de 'falam' = ÃU — vogal + semivogal). O ditongo nasal ocorre no final das palavras.
Referência
✅ AMplo → dígrafo nasal (1 som)
✅ falAM → ditongo nasal (2 sons: ã + u)
Uma palavra com dígrafo tem o mesmo número de letras e fonemas.
ERRADO. Quando há dígrafo, o número de letras é maior que o de fonemas, pois duas letras representam um único som. Ex.: 'chuva' tem 5 letras mas 4 fonemas (CH = 1 fonema).
Referência
✅ chuva → 5 letras, 4 fonemas (CH = 1 fonema)
✅ guerra → 6 letras, 4 fonemas (GU = 1 fonema, RR = 1 fonema)
Para separar sílabas, é fundamental identificar as vogais, pois cada sílaba deve ter exatamente uma vogal (ou um ditongo, que é vogal + semivogal na mesma sílaba).
Toda sílaba é organizada em torno de uma vogal. Reconhecer dígrafos e ditongos é essencial para a contagem silábica e para identificar a sílaba tônica.
O ditongo é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes.
ERRADO. O ditongo é o encontro de uma vogal e uma semivogal na mesma sílaba. Ex.: 'meu' (m-EU), 'sai' (SA-i), 'céu'. Quando duas vogais estão em sílabas diferentes, temos hiato — não ditongo.
Referência
✅ 'meu' → ditongo (vogal + semivogal, 1 sílaba)
✅ 'sa-ú-de' → hiato (2 vogais, 2 sílabas diferentes)
Usa-se hífen após os prefixos 'não' e 'quase': não-violência, quase-morte.
ERRADO. Não se usa hífen após 'não' e 'quase'. Correto: não violência, não beligerante, não fumante, quase delito, quase equilíbrio.
Referência
✅ não violência, não fumante, quase delito → sem hífen
❌ não-violência, quase-morte → incorreto
No ditongo crescente, a semivogal (mais fraca) vem antes da vogal (mais forte), como em 'história' e 'série'. No ditongo decrescente, a vogal vem antes da semivogal, como em 'imóveis' e 'saudade'.
Crescente: semivogal → vogal (entonação 'cresce'). Decrescente: vogal → semivogal (entonação 'decresce'). Os ditongos abertos ÉI, ÓI, ÉU são sempre decrescentes.
Os ditongos abertos ÉI, ÓI e ÉU são crescentes, pois a primeira vogal é mais forte.
ERRADO. Os ditongos abertos ÉI, ÓI e ÉU são decrescentes, pois a vogal (mais forte) vem antes da semivogal (mais fraca): 'jóquei', 'herói', 'céu'.
Referência
✅ 'herói' → ditongo aberto ÓI, decrescente (vogal Ó + semivogal I)
✅ 'céu' → ditongo aberto ÉU, decrescente
O tritongo é o encontro de uma vogal entre duas semivogais na mesma sílaba, como em 'Uruguai' (u-ru-GUAI) e 'iguais' (i-GUAIS).
Tritongo: sv + V + sv em uma só sílaba. O M ou N final pode funcionar como semivogal: 'águam' = águAũ, 'deságuem' = deságuEĩ.
A palavra 'saúde' contém um hiato, pois apresenta o encontro das vogais 'a' e 'u' em sílabas diferentes: SA-Ú-DE.
CERTO. Hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes. Em 'saúde', 'a' e 'ú' são vogais plenas em sílabas distintas, formando hiato.
Referência
✅ sa-ú-de → hiato (2 vogais em 2 sílabas diferentes)
✅ pa-ís → hiato (a-í em sílabas diferentes)
Palavras com uma sílaba são monossílabas; com duas, dissílabas; com três, trissílabas; com quatro ou mais, polissílabas.
Monossílaba: pé, pá. Dissílaba: sofá, mesa. Trissílaba: médico, Brasília. Polissílaba: jacarandá, específico. Atenção: 'perenes' é trissílaba (pe-re-nes), não polissílaba.
Em 'pais' (plural de pai), o 'ai' é um hiato, pois há duas vogais seguidas.
ERRADO. Em 'pais', o 'a' é vogal e o 'i' é semivogal, formando um ditongo decrescente em uma única sílaba. Em 'país', há hiato: PA-ÍS, com duas vogais em sílabas diferentes — por isso 'país' é acentuado.
Referência
✅ pa-ís → hiato (vogal A + vogal Í em sílabas diferentes) → acentuado
✅ pais → ditongo decrescente AI (vogal + semivogal, 1 sílaba) → sem acento
Acentuam-se as oxítonas terminadas em A(s), E(s), O(s), Em, Ens e também em ditongos abertos ÉU, ÉI e ÓI.
CERTO. Regra geral das oxítonas: sofá, café, cipó, parabéns, também, chapéu, papéis, herói. A terminação em EM ou ENS deve ter pelo menos duas sílabas para que a regra se aplique.
Referência
✅ sofá, café, cipó, parabéns, chapéu, papéis, herói, também
A oxítona 'parabéns' é acentuada porque termina em ENS, e 'herói' é acentuada porque termina em ditongo aberto ÓI. Ambas são oxítonas acentuadas pela mesma categoria de regra.
Regra das oxítonas: terminações A(s), E(s), O(s), Em, Ens e ditongos abertos ÉU, ÉI, ÓI. Palavras de outras classificações tônicas nunca são acentuadas pela regra das oxítonas.
Referência
✅ parabéns → oxítona terminada em ENS
✅ herói → oxítona terminada em ditongo aberto ÓI
As paroxítonas terminadas em A, E, O, EM ou ENS são acentuadas pela regra geral.
ERRADO. É o contrário: as paroxítonas terminadas em A, E, O, EM ou ENS NÃO são acentuadas (essas são as terminações das oxítonas acentuadas). As paroxítonas com outras terminações (L, R, N, I, IS, US, X, ÃO, UM etc.) é que são acentuadas pela regra geral.
Referência
✅ fácil, cadáver, hífen, álbum, júri, lápis, vírus, tórax, órfão → acentuadas (terminações diferentes de A,E,O,EM,ENS)
❌ escola, abade, copo, homem → não acentuadas (terminam em A, E, O, EM)
Além da regra geral, acentuam-se as paroxítonas terminadas em ditongo oral, como 'história', 'série', 'imóveis', 'água' e 'indivíduos'. Porém, paroxítonas com ditongo aberto (heroico, ideia) não são acentuadas.
Regra específica das paroxítonas. 'Água' termina em 'ua' (ditongo oral), não em 'a' — por isso é acentuada. Ditongo aberto ÉI/ÓI em paroxítona: sem acento (novo acordo ortográfico).
Referência
✅ á-gua → paroxítona + ditongo oral UA → acentuada
❌ ideia, heroico → paroxítona + ditongo aberto → sem acento
Com o Novo Acordo Ortográfico, as paroxítonas terminadas em ditongo aberto, como 'ideia', 'assembleia' e 'heroico', deixaram de ser acentuadas.
CERTO. Antes: 'idéia', 'heróico'. Hoje: sem acento. O acento em ditongo aberto permanece apenas nas oxítonas: 'anéis', 'herói', 'troféu'.
Referência
✅ ideia, assembleia, heroico, jiboia → sem acento (paroxítona + ditongo aberto)
✅ anéis, herói, troféu → com acento (oxítona + ditongo aberto)
As proparoxítonas têm a sílaba tônica na antepenúltima posição, e todas elas são acentuadas graficamente, sem exceção, independentemente da terminação.
A regra das proparoxítonas é absoluta e prevalece sobre qualquer outra. Ex.: médico, pânico, lâmpada, episódio, específico, relâmpago.
A palavra 'café' tem acento tônico e acento gráfico, enquanto 'saci' tem acento tônico mas não tem acento gráfico.
CERTO. O acento tônico é a maior intensidade da sílaba na fala e existe em toda palavra. O acento gráfico (´, ^, `) é o sinal escrito e segue regras específicas — nem toda palavra tônica o recebe.
Referência
✅ saci → acento tônico na última sílaba, sem acento gráfico
✅ café → acento tônico e acento gráfico na última sílaba
A acentuação gráfica serve, entre outros fins, para diferenciar palavras de mesma grafia mas significados distintos, como 'sabiá' (ave), 'sabia' (verbo) e 'sábia' (adjetivo feminino).
A acentuação diferencia palavras homógrafas — mesma grafia, mas tonicidade ou classe gramatical distinta. Ex.: Acúmulo (substantivo) vs. Acumulo (verbo).
O acento agudo (´) marca timbre fechado e o acento circunflexo (^) marca timbre aberto, como na oposição entre 'avó' e 'avô'.
ERRADO. É o contrário: o acento agudo (´) marca timbre aberto e o circunflexo (^) marca timbre fechado. 'Avó' tem timbre aberto (ó) e 'avô' tem timbre fechado (ô).
Referência
✅ avó (feminino, timbre aberto → acento agudo ´)
✅ avô (masculino, timbre fechado → acento circunflexo ^)
As palavras 'parabéns' e 'lúmen' são acentuadas pela mesma regra, pois ambas terminam em ENS e EN.
ERRADO. Cada classificação tônica tem suas próprias regras. 'Parabéns' é oxítona (terminada em ENS → regra das oxítonas). 'Lúmen' é paroxítona (terminada em EN → regra geral das paroxítonas). Palavras de classificações diferentes nunca compartilham a mesma regra geral.
Referência
✅ parabéns → oxítona, regra das oxítonas
✅ lúmen → paroxítona, regra geral das paroxítonas
❌ não são acentuadas pela mesma regra
A palavra 'hífen' é acentuada por ser paroxítona terminada em EN. Já 'hifens', no plural, não é acentuada, pois passa a terminar em ENS — terminação de paroxítona não acentuada.
Singular: hífen (paroxítona, termina em EN → regra geral → acentuada). Plural: hifens (paroxítona, termina em ENS → mesma terminação das oxítonas acentuadas → NÃO acentuada pela regra geral das paroxítonas).
Referência
✅ hífen → singular, acentuado
✅ hifens → plural, sem acento
Os prefixos 'hiper', 'super', 'mini', 'anti' e 'semi', mesmo sendo paroxítonos, não são acentuados graficamente.
CERTO. Prefixos paroxítonos terminados em R ou I são exceção à regra geral das paroxítonas e não recebem acento. São tratados como não autônomos.
Referência
✅ hiper, super, mini, anti, semi → sem acento (prefixos paroxítonos excetuados)
A palavra 'pudico' é paroxítona (pu-DI-co), 'ínterim' é proparoxítona (ÍN-te-rim) e 'cateter' é oxítona (ca-te-TER) — palavras de prosódia incomum muito cobradas em prova.
Prosódia: pronúncia correta da sílaba tônica. Outros exemplos: sutil (oxítona), ruim (oxítona), refém (oxítona), harém (oxítona), ambrosia (paroxítona).
As palavras 'gratuito', 'fortuito' e 'circuito' têm tonicidade no 'i', sendo classificadas como paroxítonas.
ERRADO. 'Gratuito', 'fortuito' e 'circuito' têm tonicidade no 'U' (gra-TU-i-to, for-TU-i-to, cir-CU-i-to). O UI nesses casos é um ditongo com tônica no U, e essas palavras são paroxítonas.
Referência
✅ gra-TU-i-to → paroxítona, tônica no U
❌ gra-tu-Í-to → pronúncia incorreta
A regra do hiato determina que se acentuam o I ou U tônicos que formam hiato com a sílaba anterior, desde que estejam sozinhos na sílaba ou acompanhados apenas de S.
CERTO. Exemplos: saúde (sa-Ú-de), país (pa-ÍS), faísca (fa-ÍS-ca), egoísta (e-go-ÍS-ta), baú. A regra vale tanto para oxítonas (açaí) quanto para paroxítonas (saúde), independentemente da classificação tônica.
Referência
✅ sa-ú-de, pa-ís, fa-ís-ca, ba-ú → regra do hiato (I/U tônico + sozinho ou com S)
O I ou U tônico em hiato NÃO é acentuado quando a sílaba em que se encontra contém outras letras além do S, como em 'cair' (ca-IR), 'juiz' (ju-IZ), 'ruim' (ru-IM), 'ainda' (a-IN-da) e 'Raul' (Ra-UL).
Regra do hiato: acento APENAS se I/U tônico estiver sozinho na sílaba ou com S. Com outras letras (R, L, M, N, D etc.): sem acento.
Referência
✅ ba-ú → acento (U sozinho na sílaba)
❌ ju-iz → sem acento (I acompanhado de Z)
❌ ru-im → sem acento (U acompanhado de M)
A palavra 'rainha' não recebe acento no I porque o I tônico é seguido de NH na sílaba seguinte.
CERTO. Essa é a primeira exceção à regra do hiato: I ou U tônico seguido de NH na próxima sílaba não é acentuado, pois o NH já impede a leitura como ditongo. Ex.: rainha, bainha, moinho, tainha.
Referência
✅ rainha, bainha, moinho → sem acento (hiato + NH na sílaba seguinte)
O I ou U tônico que vem após um ditongo decrescente em uma paroxítona não é acentuado: feiura, baiuca, bocaiuva, Sauípe. Mas se a palavra for oxítona, o acento permanece: Piauí, tuiuiú, teiú.
Segunda exceção à regra do hiato. Paroxítona + I/U após ditongo decrescente: sem acento (nova ortografia). Oxítona + mesma situação: COM acento. Gravar: Guaíba e Guaíra são acentuadas (ditongo crescente antes do I).
Referência
✅ feiura, baiuca, bocaiuva → sem acento (paroxítona + U/I após ditongo decrescente)
✅ Piauí, tuiuiú, teiú → com acento (oxítona)
✅ Guaíba → com acento (ditongo crescente UA antes do I)
Com o Novo Acordo Ortográfico, as palavras 'voo', 'enjoo', 'creem' e 'leem' passaram a ser acentuadas, pois contêm hiatos.
ERRADO. O Novo Acordo eliminou o acento nessas palavras. Hiatos de vogais iguais (oo, ee) e formas como 'creem', 'leem', 'veem', 'deem', 'voo', 'zoo', 'enjoo' não são mais acentuados.
Referência
✅ voo, enjoo, creem, leem → sem acento (nova ortografia)
❌ vôo, enjôo, crêem, lêem → formas antigas e incorretas
As palavras 'Guaíba' e 'Guaíra' são acentuadas, porque o I tônico ocorre após ditongo crescente (UA), não decrescente — diferente de 'bocaiuva' e 'feiura', que não são acentuadas.
A exceção da regra do hiato (sem acento após ditongo decrescente em paroxítona) não se aplica quando o ditongo anterior é crescente. Em 'Guaíba', o 'UA' é ditongo crescente.
Referência
✅ Guaíba, Guaíra → acento (ditongo crescente UA antes do I)
✅ bocaiuva, feiura → sem acento (ditongo decrescente AI/EI antes do U/I paroxítona)
As palavras 'ciúme', 'atribuída' e 'reúne' são acentuadas pela mesma regra: a regra do hiato.
CERTO. CI-Ú-ME, A-TRI-BU-Í-DA e RE-Ú-NE: em todas, o I ou U tônico está sozinho na sílaba (ou com S) formando hiato. A regra do hiato independe da classificação tônica (vale para oxítonas e paroxítonas).
Referência
✅ ci-ú-me → U sozinho, hiato
✅ re-ú-ne → U sozinho, hiato
✅ a-tri-bu-í-da → I sozinho, hiato
A forma 'pôde', com acento circunflexo, indica a 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo poder, enquanto 'pode', sem acento, indica o presente do indicativo.
Acento diferencial de timbre: pôde (passado, timbre fechado) vs. pode (presente, timbre aberto). Ex.: 'Ele não pôde ir ontem.' / 'Ela não pode ir agora.'
Referência
✅ Ele não pôde comparecer ontem. (pretérito perfeito)
✅ Ela não pode comparecer agora. (presente)
'Têm', com acento circunflexo, é a forma singular do verbo ter no presente do indicativo.
ERRADO. 'Têm' é a forma PLURAL (3ª pessoa do plural): 'Eles têm muitos amigos.' 'Tem' (sem acento) é a forma SINGULAR (3ª pessoa do singular): 'Ele tem muitos amigos.' O circunflexo marca o plural.
Referência
✅ Ele tem muitos amigos. (singular, sem acento)
✅ Eles têm muitos amigos. (plural, com acento)
Os derivados de 'ter' e 'vir' também recebem acento circunflexo no plural: 'mantém' (singular) vs. 'mantêm' (plural), 'intervém' (singular) vs. 'intervêm' (plural), 'contém' vs. 'contêm'.
Regra válida para toda a família de derivados: detém/detêm, convém/convêm, abstém/abstêm, retém/retêm. O acento circunflexo diferencia singular de plural.
Referência
✅ O governo não intervém. (singular)
✅ As políticas intervêm. (plural)
Pelo Novo Acordo Ortográfico, as palavras 'pela', 'polo', 'pelo' e 'pera' perderam seus acentos diferenciais.
CERTO. Esses acentos diferenciais foram abolidos. Hoje, tanto 'pela' (preposição + artigo) quanto 'pela' (verbo pelar) se grafam sem acento — o mesmo vale para polo, pelo e pera.
Referência
✅ Pela manhã, ela pela a maçã. → ambos sem acento (nova ortografia)
A forma 'pôr', com acento circunflexo, é um verbo (= colocar), enquanto 'por', sem acento, é uma preposição.
Acento diferencial de classe gramatical. Ex.: 'A galinha não quer pôr ovos.' (verbo) / 'A saída é por aqui.' (preposição).
Referência
✅ A galinha não quer pôr ovos. (verbo)
✅ A saída é por aqui. (preposição)
Com o Novo Acordo Ortográfico, 'veem' e 'creem' passaram a ser escritos sem acento circunflexo.
CERTO. 'Vêem' e 'crêem' eram formas antigas. Hoje: veem, creem, leem, deem — sem acento. Atenção: 'vêm' (plural de 'vir') permanece com acento diferencial: 'Elas vêm a pé.'
Referência
✅ Eles veem o problema. (sem acento — verbo ver, plural)
✅ Elas vêm a pé. (com acento — verbo vir, plural)
O acento diferencial em 'fôrma' (objeto de cozinha) é considerado facultativo pelo Novo Acordo Ortográfico. Já os acentos em 'pôde', 'pôr' e 'têm/vêm' são obrigatórios.
Acentos diferenciais que permanecem obrigatórios: pôde/pode, pôr/por, têm/tem, vêm/vem, mantêm/mantém (e derivados). Facultativo: fôrma vs. forma.
Na união de prefixos com palavras, usa-se hífen quando a última letra do prefixo é diferente da primeira letra da palavra seguinte.
ERRADO. É o contrário: usa-se hífen para separar LETRAS IGUAIS (vogal igual + vogal igual, ou consoante igual + consoante igual). Letras diferentes se unem diretamente, sem hífen. Ex.: autoestrada (vogais diferentes = sem hífen), micro-ondas (vogais iguais = com hífen).
Referência
✅ micro-ondas → hífen (O + O, vogais iguais)
✅ autoestrada → sem hífen (O + E, vogais diferentes)
Quando um prefixo terminado em vogal é seguido de palavra iniciada por R ou S, essas consoantes devem ser duplicadas, sem uso de hífen. Ex.: contra+regra = contrarregra, anti+social = antissocial, mini+saia = minissaia.
'Regra do arRoSS': após vogal de prefixo, R → RR e S → SS. A duplicação substitui o hífen. Ex.: contrassenso, ultrassom, corresponsável, antirracismo.
Referência
✅ antissocial, contrarregra, minissaia, ultrassom
❌ anti-social, contra-regra, mini-saia
Na formação de palavras com prefixos, usa-se sempre hífen antes de palavra iniciada por H, como em 'anti-higiênico', 'pré-história' e 'super-homem'.
CERTO. Antes de H, SEMPRE há hífen na prefixação (pois o H acompanha as vogais por não ter som próprio). Exceção: prefixos 'des-' e 'in-' quando o segundo elemento perdeu o H original, como 'desumano' e 'inumano'.
Referência
✅ anti-higiênico, pré-história, super-homem, extra-humano
✅ desumano, inumano → exceção (prefixo des-/in- + H perdido)
O prefixo 'co' é exceção à regra geral e se une sempre sem hífen, mesmo quando a palavra seguinte começa com a mesma vogal 'o': coobrigado, cooperar, coorientador.
Exceção importante: CO + vogal igual → sem hífen (ao contrário da regra geral que separa vogais iguais). Quando seguido de R, duplica: corréu, correlação.
Referência
✅ coautor, cooperar, coorientador, coobrigado → sempre sem hífen
❌ co-autor, co-orientador → incorreto
Os prefixos 'recém', 'ex', 'vice', 'além', 'aquém' e 'sem' sempre exigem hífen, independentemente da letra inicial da palavra seguinte.
CERTO. São prefixos com regra especial de hífen obrigatório: recém-nascido, ex-presidente, vice-presidente, além-túmulo, aquém-mar, sem-terra. Diferente da regra geral, não dependem da análise de letras iguais ou diferentes.
Referência
✅ recém-casado, ex-aluno, vice-reitor, além-túmulo → hífen obrigatório
Os prefixos tônicos 'pré', 'pós' e 'pró' sempre exigem hífen: pré-escolar, pós-graduação, pró-americano. Já suas formas átonas, já fundidas à palavra, não usam hífen: preestabelecer, pospor.
A diferença está na tonicidade: prefixo tônico (identidade preservada) pede hífen. Prefixo átono (já incorporado à palavra) não usa hífen.
Referência
✅ pré-escolar, pós-graduação → tônicos, com hífen
✅ preestabelecer, pospor → átonos, sem hífen
As palavras 'sub-região' e 'sub-reitor' usam hífen porque 'sub' termina em consoante e a palavra seguinte começa com vogal.
ERRADO. O hífen em 'sub-região' e 'sub-reitor' se deve à regra especial: os prefixos 'sub' e 'sob' + R ou B pedem hífen. Quando 'sub' é seguido de vogal, une-se diretamente (subumano ou sub-humano, com exceção registrada).
Referência
✅ sub-região, sub-reitor, sub-raça → hífen (prefixo sub + R)
❌ sub-humano OU subumano → ambas registradas como exceção
O prefixo 'bem' exige hífen em qualquer caso (bem-vindo, bem-estar), exceto quando a palavra derivada é de querer ou fazer: benquerer, benfeito. O prefixo 'mal' exige hífen antes de vogal ou H (mal-educado, mal-estar), mas se aglutina antes de consoante: malcriado, malfeito.
Mnemônico: 'o mal não gosta de vogal, então insere hífen'. O 'bem' não gosta de ninguém — quer hífen sempre, salvo derivados de querer/fazer.
Referência
✅ bem-vindo, bem-estar, bem-humorado → com hífen
✅ benquerer, benfeito → sem hífen (derivados de querer/fazer)
✅ malcriado, malfeito → sem hífen (consoante)
✅ mal-educado, mal-estar → com hífen (vogal/H)
As expressões 'mão-de-obra' e 'dia-a-dia' são grafadas com hífen porque são palavras compostas.
ERRADO. Palavras compostas com elemento de ligação (preposições, artigos, conjunções) são grafadas sem hífen: 'mão de obra', 'dia a dia', 'café com leite', 'cão de guarda'. Com hífen: compostos sem elemento de ligação (guarda-chuva, boa-fé, vaga-lume).
Referência
✅ mão de obra, dia a dia, café com leite → sem hífen (elemento de ligação)
✅ guarda-chuva, boa-fé, porta-malas → com hífen (sem elemento de ligação)
Os prefixos 'circum' e 'pan', quando seguidos de vogal, 'm' ou 'n', exigem hífen: pan-americano, pan-europeu, circum-navegação. O prefixo 'semi' pede hífen quando a palavra seguinte começa com I: semi-internato, semi-interno.
Regras especiais: circum/pan + vogal/m/n = hífen. Semi + I = hífen (vogais iguais). Semi + outras letras = sem hífen (semianalfabeto, semicírculo).
Referência
✅ pan-americano, circum-navegação → hífen
✅ semi-internato → hífen (vogal I igual)
✅ semianalfabeto → sem hífen (vogais diferentes)
As palavras 'pretensão', 'defesa', 'expansão' e 'compreensão' são grafadas com S porque derivam de verbos terminados em -nder ou -ndir.
CERTO. Regra: verbos terminados em -nder/-ndir geram derivados com S. Pretender→pretensão, defender→defesa, expandir→expansão, compreender→compreensão, fundir→fusão.
Referência
✅ pretender → pretensão
✅ defender → defesa
✅ expandir → expansão
Verbos terminados em -erter, -ertir e -ergir geram derivados com -S-: converter→conversão, divertir→diversão, imergir→imersão. Verbos terminados em -gredir geram derivados com -gress-: agredir→agressão, progredir→progresso.
Série completa de derivações com SS ou S: -primir→-press- (impressão); -meter→-miss- (compromisso, promessa); -gredir→-gress- (agressão); -erter/-ertir/-ergir→-s- (conversão, imersão).
Referência
✅ converter → conversão
✅ divertir → diversão
✅ agredir → agressão
✅ comprometer → compromisso
Os verbos terminados em -primir geram derivados com -press-: imprimir→impressão, comprimir→compressa, deprimir→depressivo. Os verbos terminados em -meter geram derivados com -miss- ou -mess-: comprometer→compromisso, prometer→promessa.
CERTO. Essas são regras sistemáticas do uso de SS: -primir→-press-, -meter→-miss-/-mess-, -gredir→-gress-, -ceder→-cess- (exceder→excesso, conceder→concessão). Atenção: EXCEÇÃO (com Ç e SS juntos) é palavra cobradíssima.
Referência
✅ imprimir → impressão
✅ comprometer → compromisso
✅ prometer → promessa
✅ exceder → excesso
Substantivos abstratos derivados de adjetivos que indicam qualidade são grafados com -ez/-eza: limpeza, embriaguez, acidez. Palavras que indicam nacionalidade, título ou nome próprio são grafadas com -ês/-esa: português, duquesa, marquês.
Z em -ez/-eza (qualidade abstrata); S em -ês/-esa (nacionalidade/título). Ex.: limpo→limpeza (Z); nobre→nobreza (Z); português (S, nacionalidade); Inês, Teresa (S, nomes próprios).
Referência
✅ limpeza, acidez, embriaguez, nobreza → Z (qualidade abstrata)
✅ português, norueguesa, marquês, Inês → S (nacionalidade/título)
A regra para -isar ou -izar é simples: se a palavra primitiva já possuir S, o verbo derivado usa -isar; se não possuir, usa -izar.
CERTO. Análise→analisar (S na primitiva); paralisia→paralisar (S); economia→economizar (sem S); terror→aterrorizar (sem S). Exceções importantes: catequizar, sintetizar, hipnotizar, batizar (primitiva com S, mas derivam com Z).
Referência
✅ análise → analisar (tem S → isar)
✅ economia → economizar (sem S → izar)
✅ catequese → catequizar (exceção)
Palavras de origem tupi, africana ou popular são grafadas com J: jeca, jiboia, jiló, pajé, ojeriza. Palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio e -gem são grafadas com G: pedágio, colégio, viagem, coragem.
J: origem indígena/africana/popular. G: terminações latinas. Exceção da G: pajem e lambujem (escritas com J). Verbo -jar mantém J nos derivados: viajem (do verbo viajar, com J) ≠ viagem (substantivo, com G).
Referência
✅ jiboia, jiló, pajé, ojeriza → J
✅ colégio, relógio, viagem, coragem → G
✅ pajem → J (exceção)
✅ que eles viajem → J (verbo -jar)
Palavras iniciadas por 'mex-' ou 'enx-' são escritas com X, como 'mexer', 'mexilhão', 'enxada' e 'enxergar'. Exceções: 'mecha' e 'enchova', que usam CH.
CERTO. Regra do X: palavras iniciadas por mex- ou enx- usam X (exceto mecha e enchova). Também usam X após ditongo: ameixa, peixe, queixa, deixar. Exceções do ditongo: recauchutar e guache (com CH).
Referência
✅ mexer, enxergar, ameixa, queixa → X
✅ mecha, enchova, recauchutar → CH (exceções)
São grafadas com SC palavras como: consciência, disciplina, piscina, nascer, crescer, adolescência, imprescindível, fascinante, oscil ar, discernimento. Na conjugação desses verbos, o SÇ permanece: nasço, cresça.
A lista de palavras com SC deve ser memorizada. Na conjugação: nasço/nasça, cresço/cresça (com SÇ). Cobrado em prova: desfalecer (com SC) é grafia incorreta — correto: definhar não, mas 'desfalecer' leva SC.
Referência
✅ consciência, disciplina, piscina, imprescindível → SC
Se a palavra primitiva possuir S, o diminutivo é formado com -sinho (casinha, teresinha). Se não possuir S, o diminutivo é formado com -zinho (mulherzinha, aviãozinho).
CERTO. A grafia do diminutivo segue a da primitiva: casa→casinha (S); português→portuguesinho (S); mulher→mulherzinha (sem S); alemão→alemãozinho (sem S); corzinha (sem S em 'cor').
Referência
✅ casa → casinha (S na primitiva)
✅ mulher → mulherzinha (sem S na primitiva)
Após ditongo, usa-se Ç quando o som é de /s/ (eleição, seção) e usa-se S quando o som é de /z/ (Neusa, coisa). Palavras terminadas em -oso/-osa, -ase, -ese, -ise, -ose e -isa usam S, exceto: gozo, gaze, deslize, baliza, coriza.
Ditongo + /s/ = Ç (eleição). Ditongo + /z/ = S (Neusa, coisa). Terminações em -oso/-osa e -ese/-ose = S. As exceções com Z devem ser memorizadas.
Referência
✅ eleição → Ç (som /s/ após ditongo)
✅ Neusa, coisa → S (som /z/ após ditongo)
✅ saboroso, tese, osmose → S
✅ gozo, gaze → Z (exceções)
As palavras 'norte', 'sul', 'leste' e 'oeste' são sempre grafadas com letra maiúscula.
ERRADO. Grafam-se com maiúscula quando indicam as grandes regiões (o Nordeste brasileiro, o Oriente Médio). Quando indicam direção ou ponto geográfico genérico, usam-se minúsculas: 'vento norte', 'o nordeste do Rio Grande do Sul', 'de norte a sul'.
Referência
✅ o Nordeste (grande região) → maiúscula
✅ de norte a sul (direção) → minúscula
Após o sinal de dois-pontos, a palavra seguinte deve ser grafada com letra minúscula, salvo se for um nome próprio ou início de citação direta entre aspas.
A letra maiúscula marca início de período ou citação, mas não é usada simplesmente por seguir dois-pontos. Ex.: 'Os motivos são: cansaço, fome e sono.' (minúscula após ':')
Referência
✅ Os motivos são: cansaço, fome e sono. → minúscula após :
✅ Ele disse: "Precisamos conversar." → maiúscula (citação direta)
Os pronomes de tratamento e suas abreviaturas são grafados com letra maiúscula: Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Dom, Dona, V. Exa., V. Sa.
CERTO. O uso de maiúscula em pronomes de tratamento é norma ortográfica. São tratados como nomes próprios em seu contexto formal.
Referência
✅ Vossa Excelência, V. Sa., Dom Pedro → maiúsculas obrigatórias
Nos títulos de livros, filmes e músicas, as preposições e conjunções que integram o título são grafadas com letra minúscula: 'Os Lusíadas', 'Jornal do Comércio', 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'.
Nos títulos, a primeira palavra leva maiúscula; preposições, conjunções e advérbios no interior do título ficam com minúscula.
Referência
✅ Os Lusíadas → maiúscula (primeira palavra)
✅ Jornal do Comércio → minúscula em 'do' (preposição)
✅ Memórias Póstumas de Brás Cubas → minúscula em 'de'
O plural das siglas é feito acrescentando-se 'S' maiúsculo: PDFs, PUCs, UPAs.
ERRADO. O plural das siglas é feito acrescentando-se 's' minúsculo: PDFs, PUCs, UPAs, UPPs. O 's' de plural não faz parte da sigla e por isso é minúsculo.
Referência
✅ PDFs, PUCs, UPAs → plural com s minúsculo
❌ PDFS, PUPS → incorreto
Siglas com mais de três letras pronunciadas letra a letra ficam todas em maiúscula: UFRJ, ICMS. Já as siglas pronunciadas como uma palavra inteira têm apenas a primeira letra maiúscula: Detran, Uerj, Ciep.
Regra de grafia das siglas: até 3 letras → todas maiúsculas (PM, TV). Mais de 3 letras, pronunciadas letra a letra → todas maiúsculas (UFRJ, ICMS). Pronunciadas como palavra → só inicial maiúscula (Detran, Uerj).
Referência
✅ UFRJ, ICMS → todas maiúsculas (pronunciadas letra a letra)
✅ Detran, Uerj, Ciep → só inicial maiúscula (pronunciadas como palavra)
As siglas 'aids', 'laser', 'radar' e 'ibope' passaram a ser grafadas com letras minúsculas após serem incorporadas ao dicionário como palavras comuns.
CERTO. Siglas dicionarizadas perdem a característica de sigla e passam a funcionar como palavras comuns, grafadas com minúsculas. É possível também usar siglas para formar palavras derivadas: petista (PT), aidético (AIDS).
Referência
✅ aids, laser, radar, ibope → minúsculas (palavras dicionarizadas)
Na frase 'Não passou porque era um mal candidato', o uso de 'mal' está correto.
ERRADO. 'Mau' é adjetivo (oposto de 'bom') e qualifica substantivos: 'um mau candidato'. 'Mal' é advérbio (oposto de 'bem') e modifica verbos ou adjetivos: 'estava mal preparado'.
Referência
✅ Era um mau candidato. (adjetivo, oposto de bom)
✅ Estava mal preparado. (advérbio, oposto de bem)
❌ Era um mal candidato. → incorreto
Para distinguir 'mal' de 'mau', basta testar a substituição: 'mal' pode ser substituído por 'bem' (seu oposto como advérbio), e 'mau' pode ser substituído por 'bom' (seu oposto como adjetivo).
Mal/bem são advérbios. Mau/bom são adjetivos. Ex.: 'Estava mal preparado' → 'Estava bem preparado' (faz sentido → 'mal' advérbio). 'Era um mau candidato' → 'Era um bom candidato' (faz sentido → 'mau' adjetivo).
Referência
✅ mal → oposto de 'bem' (advérbio)
✅ mau → oposto de 'bom' (adjetivo)
Em 'O cinema fica a dois quilômetros daqui' e 'Há dez anos não fumo', o uso de 'a' e 'há' está correto.
CERTO. 'Há' = verbo haver (existência ou tempo passado): 'há dez anos' = faz dez anos. 'A' = preposição (distância ou tempo futuro): 'a dois km' = distância; 'daqui a 15 minutos' = futuro.
Referência
✅ Há dez anos não fumo. (tempo passado → 'há')
✅ O cinema fica a 2 km daqui. (distância → 'a')
✅ Chegaremos daqui a 15 minutos. (futuro → 'a')
O verbo impessoal 'há' indica existência ou tempo passado e pode ser substituído por 'faz': 'há dez anos' = 'faz dez anos'. Já a preposição 'a' indica distância, limite ou tempo futuro e não pode ser substituída por 'faz'.
Macete: se puder substituir por 'faz', use 'há'. Ex.: 'Há dois meses não o vejo' = 'Faz dois meses não o vejo' → 'há'. 'Voltarei daqui a dois meses' → futuro, não cabe 'faz' → 'a'.
Referência
✅ Há dois meses não o vejo. (= faz dois meses → 'há')
✅ Voltarei daqui a dois meses. (futuro → 'a')
O 'porque' junto e sem acento é usado tanto como conjunção causal quanto como conjunção explicativa, sempre introduzindo uma causa ou explicação.
CERTO. 'Porque' causal: 'Fui aprovado porque estudei.' 'Porque' explicativo: 'Estude, porque a prova vai ser difícil.' Em ambos os casos, é junto e sem acento.
Referência
✅ Fui aprovado porque estudei. (conjunção causal)
✅ Estude, porque a prova vai ser difícil. (conjunção explicativa)
O 'por que' separado e sem acento é usado em interrogativas diretas e indiretas e como pronome relativo ('pelo qual'). O 'por quê' (com acento) aparece no final de período ou antes de pausa. O 'porquê' (junto, com acento) é substantivo equivalente a 'motivo', vindo com determinante.
Por que: interrogativa ('Por que estudas?') ou pronome relativo ('as esquinas por que passei'). Por quê: fim de frase ('Por quê?'). Porquê: substantivo com artigo ('o porquê').
Referência
✅ Por que você vai? (interrogativa)
✅ Estudas tanto, por quê? (final de período)
✅ Não sei o porquê. (substantivo + artigo)
'Aonde' deve ser usado com verbos que exigem a preposição 'em', como em 'Aonde você mora?'.
ERRADO. 'Onde' é usado com verbos que pedem preposição 'em' (permanência, posição): 'Onde você mora?' (mora em). 'Aonde' é usado com verbos que pedem preposição 'a' (movimento, destino): 'Aonde quer que eu vá.' (vá a).
Referência
✅ Onde você mora? (= em que lugar? → 'onde')
✅ Aonde quer que eu vá. (= a que lugar? → 'aonde')
❌ Aonde você mora? → incorreto
'A fim de' é locução prepositiva com sentido de finalidade (= 'para'), escrita separada. 'Afim' é adjetivo com sentido de semelhante, correlato, escrito junto.
A fim de (separado) = propósito: 'Estou aqui a fim de ajudar.' Afim (junto) = parecido: 'São matérias afins.' Erro clássico em prova: usar 'afim de' separado para indicar finalidade.
Referência
✅ Estou aqui a fim de te ajudar. (finalidade, separado)
✅ São matérias afins. (semelhante, junto)
❌ Estou aqui afim de ajudar. → incorreto
'Mas' é conjunção adversativa (como 'porém') e 'mais' é o oposto de 'menos'.
CERTO. 'Mas' = adversidade, contraste: 'Ela come muito, mas não engorda.' 'Mais' = quantidade maior: 'Estudei de manhã; à noite estudei mais.' São palavras completamente diferentes e não se substituem.
Referência
✅ Ela come muito, mas não engorda. (adversativa)
✅ Estudei mais à noite. (quantidade)
❌ Ela come muito, mais não engorda. → incorreto
'Senão' junto indica 'do contrário', 'mas sim' ou 'exceto': 'Venha, senão vai se arrepender.' Já 'se não' separado é conjunção condicional Se + advérbio não: 'Se não estudar, não passará.' — onde 'se' pode funcionar sozinho.
Macete: separe 'se' de 'não' e veja se 'se' pode funcionar sozinho como conjunção condicional. Se sim, escreva separado. Se não fizer sentido assim, escreva junto (senão).
Referência
✅ Venha, senão vai se arrepender. (= do contrário)
✅ Se não estudar, não passará. (condição + negação)
❌ Venha, se não vai se arrepender. → incorreto
Em 'O que está por trás dessa decisão?', o uso de 'trás' está correto.
CERTO. 'Trás' é advérbio de lugar que indica posição traseira (oposto de 'frente'): 'por trás', 'para trás'. 'Traz' é forma do verbo trazer: 'Ele traz presentes toda semana.'
Referência
✅ Recue para trás. (advérbio de lugar)
✅ Ele traz flores todo dia. (verbo trazer)
❌ Ele trás flores. → incorreto
'Ao invés de' deve ser usado para indicar o contrário, o inverso (com antônimos), enquanto 'em vez de' indica uma substituição (uma coisa no lugar da outra). Na dúvida, use sempre 'em vez de'.
Ao invés de = fazer o oposto: 'Ao invés de gritar, ficou calmo.' Em vez de = substituição: 'Em vez de café, tomei chá.' 'Em vez de' é mais abrangente e serve para qualquer contexto.
Referência
✅ Ao invés de se entregar ao nervosismo, ficou calmo. (contrário)
✅ Em vez de você, foi ele. (substituição)
'De encontro a' e 'ao encontro de' têm o mesmo sentido de aproximação ou concordância.
ERRADO. São expressões de sentido oposto. 'De encontro a' = contra, colisão, oposição: 'O carro foi de encontro ao muro.' 'Ao encontro de' = a favor, aproximação, concordância: 'A criança correu ao encontro do pai.'
Referência
✅ O carro foi de encontro ao muro. (colisão, oposição)
✅ A criança correu ao encontro do pai. (aproximação, concordância)
'Cessão' é o ato de ceder (cessão de direitos); 'sessão' é o período de tempo de uma reunião ou espetáculo (sessão legislativa); 'seção' é um setor, divisão ou local (seção de eletrodomésticos).
Trío homófono cobradíssimo em concursos. Cessão (ceder); Sessão (tempo/reunião); Seção (setor/local).
Referência
✅ Assinou um contrato de cessão de direitos.
✅ A sessão do Congresso foi encerrada.
✅ Procure na seção de alimentos.
'Tampouco' equivale a 'também não' ou 'nem', enquanto 'tão pouco' equivale a 'em quantidade tão pequena'.
CERTO. 'Tampouco' (junto) = advérbio: 'A piada não foi inteligente, tampouco engraçada.' 'Tão pouco' (separado) = advérbio de intensidade + quantidade: 'Como tão pouco que não sei por que engordo.'
Referência
✅ A piada não foi inteligente, tampouco engraçada. (= também não)
✅ Come tão pouco que não engorda. (= quantidade mínima)
'Abaixo', 'debaixo' e 'embaixo', quando grafados em palavra única, são advérbios de lugar com sentido de posição inferior e normalmente aparecem seguidos da preposição de: 'debaixo de uma escada', 'embaixo de uma mesa'. Quando 'baixo' é adjetivo, escreve-se separado: 'o quarto de baixo'.
Advérbio (palavra única + de): embaixo de, debaixo de, abaixo de. Adjetivo (separado): de baixo, em baixo, por baixo. A chave é identificar se 'baixo' modifica um verbo (advérbio) ou um substantivo (adjetivo).
Referência
✅ O móvel fica embaixo de uma escada. (advérbio)
✅ O quarto de baixo é melhor. (adjetivo, separado)
'A par' significa 'informado, ciente' e 'ao par' significa 'equivalente em valor monetário'.
CERTO. 'A par': 'Não estou a par do novo edital.' (= ciente, informado). 'Ao par': 'O dólar estava ao par do real.' (= mesmo valor). São expressões distintas.
Referência
✅ Não estou a par dessa notícia. (= informado)
✅ As moedas estavam ao par. (= equivalentes em valor)
'Acerca de' (junto) é locução prepositiva com sentido de 'sobre', 'a respeito de': 'Discutiremos acerca do aumento.' Já 'a cerca de' (separado) usa 'cerca' como substantivo ('A cerca desabou') ou como expressão de medida aproximada ('a cerca de 2 km').
Acerca (junto) = assunto/tema. A cerca (separado): artigo 'a' + substantivo 'cerca' (objeto físico). 'Cerca de' (separado) = aproximadamente.
Referência
✅ Discutiremos acerca do problema. (= sobre)
✅ A cerca foi derrubada. (substantivo)
✅ Estamos a cerca de 5 km. (aproximadamente)
'Consertar' (com S) significa reparar; 'concertar' (com C) está relacionado a concerto musical. 'Coser' (com S) significa costurar; 'cozer' (com Z) significa cozinhar.
Pares parônimos ortográficos cobrados em concursos. Consertar o carro ≠ ir ao concerto de piano. Coser a roupa ≠ cozer o feijão.
Referência
✅ Consertou o guarda-chuva. (reparou)
✅ Foi ao concerto de piano. (música)
✅ Coseu a calça rasgada. (costurou)
✅ Cozeu o feijão. (cozinhou)
'De mais' (separado) é o oposto de 'de menos', enquanto 'demais' (junto) significa 'muito' ou 'os restantes'.
CERTO. 'De mais': 'Não há nada de mais nessa atitude.' (= em excesso, pouco usado). 'Demais': 'Esse livro é bom demais!' (= muito bom) / 'O líder fala, os demais ouvem.' (= os outros).
Referência
✅ Não há nada de mais. (= em excesso)
✅ É bom demais! (= muito)
✅ Os demais concordaram. (= os outros)
'Iminente' significa prestes a ocorrer, imediato; 'eminente' significa excelso, ilustre, de grande destaque.
Parônimos comuns em provas de ortografia. 'Risco iminente' = risco imediato. 'Um jurista eminente' = um jurista ilustre. Eminente ≠ Iminente.
Referência
✅ O colapso é iminente. (= prestes a ocorrer)
✅ É um eminente jurista. (= ilustre, destacado)
❌ O colapso é eminente. → incorreto
O trema foi completamente extinto do português brasileiro com o Novo Acordo Ortográfico e não aparece mais em nenhuma palavra.
ERRADO. O trema foi extinto em palavras de origem portuguesa e seus derivados, mas permanece em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: Müller, Mülleriano. Nas demais: linguiça, sequestro, tranquilo, frequente, delinquente — sem trema.
Referência
✅ linguiça, sequestro, tranquilo, frequente → sem trema
✅ Müller, Mülleriano → trema mantido (nome estrangeiro)
Verbos como 'enxaguar', 'delinquir' e 'antiquar' admitem dupla pronúncia: tanto com tônica deslocada (énxáguo, délínquo) quanto sem (enxaguo, delinquo), sem uso de trema ou acento gráfico em nenhuma das formas.
O Novo Acordo reconhece ambas as pronúncias como corretas para verbos terminados em -guar, -quar e -quir. A grafia padronizada não usa trema nem acento nessas formas.
Referência
✅ enxaguar / enxáguo ou enxaguo (dupla prosódia, sem trema)
✅ delinquir / delínquo ou delinquo (dupla prosódia, sem trema)
O Novo Acordo Ortográfico eliminou: o trema (exceto estrangeirismos), a maioria dos acentos diferenciais, os acentos das paroxítonas com ditongo aberto (ideia, heroico) e os acentos de hiatos com vogais iguais (voo, creem).
CERTO. Principais mudanças: ① trema extinto (exceto estrangeirismos como Müller) ② maioria dos acentos diferenciais abolidos ③ ditongo aberto em paroxítona sem acento (ideia, heroico) ④ voo, enjoo, creem, leem sem acento ⑤ acento do 'u' em arguir/redarguir abolido.
O prefixo 'semi' pede hífen quando a palavra seguinte começa com I: semi-internato. O prefixo 'bio' pede hífen apenas quando seguido de O ou H: bio-óleo, bio-hidrogênio. Já o prefixo 'ex' sempre exige hífen: ex-aluno, ex-prefeito, ex-esposa.
Regras especiais por prefixo: semi + I = hífen; bio + O/H = hífen; ex = sempre hífen. Nos demais casos, aplicar a regra geral (letras iguais = hífen, letras diferentes = sem hífen).
Referência
✅ semi-internato → hífen (I = I)
✅ bio-óleo, bio-hidrogênio → hífen
✅ ex-aluno, ex-prefeito → sempre hífen