Flashcards grátis · Administração Geral
Conceitos Iniciais / Processo Administrativo
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Conceito etimológico
Em seu sentido etimológico, a palavra administração vem do latim (ad = direção para; minister = subordinação/obediência) e traduz a ideia de uma função exercida sob o comando de outrem.
CERTO. Etimologicamente, administração vem do latim ad (direção para, tendência) e minister (subordinação, obediência), traduzindo a ideia de quem exerce uma função ou presta um serviço sob o comando de outrem. Esse sentido histórico contrasta com a administração moderna, mais autônoma e estratégica, mas segue sendo cobrado literalmente pelas bancas.
Referência
Chiavenato (2014)
Administração como processo
Conceituada como processo, a administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos para alcançar objetivos organizacionais.
Conceituar a administração como processo significa defini-la pelas funções encadeadas e cíclicas que o administrador executa, e não pelo cargo ocupado nem pela área do conhecimento. Guarde o encadeamento lógico: define-se aonde ir, monta-se a estrutura e alocam-se recursos, conduzem-se as pessoas e, por fim, mede-se o resultado, que realimenta a etapa inicial.
Referência
Chiavenato / Dale (PODC)
Fayol
Henri Fayol foi o primeiro autor a separar as funções administrativas das demais funções da empresa, sendo considerado o idealizador da administração como processo.
CERTO. Fayol, expoente da Teoria Clássica, foi o primeiro a separar a função administrativa das demais funções empresariais (técnica, comercial, financeira, contábil e de segurança), enxergando o administrar como um processo de prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. Por isso é tido como o pai do processo administrativo, em contraponto a Taylor, focado no chão de fábrica.
Funções administrativas
Segundo Fayol, as funções administrativas são: planejamento, organização, direção e controle (PODC).
ERRADO. PODC (planejar, organizar, dirigir e controlar) é a classificação neoclássica, atribuída a autores como Dale. Para Fayol as funções administrativas são cinco (POC³): prever/planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. A banca costuma trocar os autores; guarde que a 'direção' é a releitura neoclássica de 'comando + coordenação'.
Referência
Fayol (POC³) x Dale (PODC)
Conceito de organização
O termo organização pode ser entendido sob dois prismas: como entidade social (conjunto de pessoas e recursos voltados a um objetivo comum) e como função administrativa (ato de organizar e estruturar o trabalho).
CERTO. A palavra organização é ambígua: como entidade social, é a própria instituição, o conjunto de pessoas e recursos voltados a um objetivo comum (uma empresa, um órgão); como função administrativa, é o ato de organizar, dispor e estruturar o trabalho e os recursos (o 'O' do PODC). A banca explora justamente essa dupla acepção.
Formal x informal
A organização informal é aquela formalmente representada no organograma, definida por manuais, regulamentos e divisão racional do trabalho.
ERRADO. A descrição (organograma, manuais, regulamentos e divisão racional do trabalho) corresponde à organização FORMAL, deliberadamente planejada e oficializada. A organização informal é a rede de relações sociais que surge espontaneamente entre as pessoas, com base em amizades, afinidades e interesses, não constando do organograma nem de normas escritas.
Formal x informal
A organização formal baseia-se na divisão racional do trabalho e é retratada no organograma; a organização informal nasce espontaneamente das relações sociais entre os membros.
A distinção separa a organização planejada, prescrita em normas, cargos e no organograma, da rede espontânea de amizades, grupos e lideranças que nasce do convívio diário. As duas coexistem na mesma empresa, e a informal não é anomalia a ser eliminada: ela pode reforçar ou sabotar os objetivos formais, por isso o gestor precisa conhecê-la.
Administração x Organização
Administração e organização são conceitos sinônimos e intercambiáveis.
ERRADO. Administração e organização não são sinônimos. A administração é a função ou processo de conduzir pessoas e recursos rumo a objetivos (planejar, organizar, dirigir e controlar); organização é tanto a entidade social onde essa função ocorre quanto uma das próprias funções administrativas (organizar). Os conceitos se relacionam, mas não se confundem.
TGA
A Teoria Geral da Administração (TGA) ocupa-se do estudo da administração em geral, não importando onde seja aplicada, e tem por desafio fundamental a adequação e integração de seis variáveis: tarefas, estrutura, pessoas, tecnologia, ambiente e competitividade.
CERTO. A Teoria Geral da Administração estuda a administração de forma genérica, aplicável a qualquer tipo de organização. Chiavenato aponta como desafio integrar seis variáveis: tarefas, estrutura, pessoas, tecnologia, ambiente e competitividade, cada uma enfatizada por uma escola do pensamento administrativo. A dificuldade está em harmonizá-las diante de um ambiente em constante mudança.
Referência
Chiavenato (2014)
TGA
As seis variáveis estudadas pela TGA são: tarefas, estrutura, pessoas, tecnologia, ambiente e competitividade.
A sequência das variáveis não é aleatória: reproduz a evolução histórica das teorias administrativas, que começaram olhando para dentro (o modo de executar e a estrutura) e foram incorporando o fator humano e, depois, o mundo externo. Nenhuma delas é isolada; mexer em uma repercute nas demais, e é essa interdependência que a banca gosta de cobrar.
Referência
Chiavenato (2014)
Níveis organizacionais
As funções da administração são exercidas apenas nos níveis estratégico e tático, não alcançando o nível operacional.
ERRADO. As funções administrativas não se restringem à cúpula; são exercidas nos três níveis: estratégico (institucional), tático (intermediário) e operacional. O que muda é a amplitude e o horizonte de tempo: no topo, decisões genéricas e de longo prazo; na base, decisões detalhadas e de curto prazo. Até o supervisor planeja, organiza, dirige e controla.
Nível estratégico
No nível estratégico (institucional) situam-se os dirigentes de cúpula (presidentes e diretores), cujas decisões têm foco no ambiente externo e no longo prazo.
CERTO. O nível estratégico (institucional) é o mais elevado, ocupado pela cúpula (presidentes, diretores, alta administração). Suas decisões são globais, abrangem toda a organização, projetam-se no longo prazo e voltam-se ao ambiente externo, marcado por incerteza. Abaixo dele situam-se o nível tático (gerencial) e o operacional (supervisão e execução).
Níveis organizacionais
Os três níveis organizacionais são: estratégico (institucional), tático (gerencial) e operacional.
Os níveis diferem pela amplitude da decisão, pelo prazo e pelo grau de incerteza: no topo decide-se para a organização inteira, de olho no ambiente externo; na base decide-se sobre a rotina, com alto grau de certeza. Atenção aos sinônimos que a banca usa: institucional para o estratégico, gerencial ou departamental para o tático e técnico para o operacional.
Nível tático
O nível tático faz a ligação entre os níveis estratégico e operacional, atua sobre um setor ou departamento e tem foco no médio prazo.
CERTO. O nível tático (intermediário ou gerencial) faz a ponte entre a estratégia definida pela cúpula e a execução da base, traduzindo objetivos globais em planos por departamento ou área, com horizonte de médio prazo. É o campo dos gerentes; não o confunda com o operacional, voltado às rotinas e ao curto prazo.
Setores da sociedade
Quanto ao setor da economia, as organizações dividem-se em 1º setor (governo), 2º setor (empresas) e 3º setor (organizações do terceiro setor).
A divisão combina natureza jurídica e finalidade: público com fim público, privado com fim lucrativo e privado com fim público. O terceiro setor é o mais cobrado justamente por essa combinação atípica, pois atua em áreas de interesse coletivo sem distribuir lucro, podendo receber títulos como OS e OSCIP para atuar em parceria com o Estado.
Setores da sociedade
As organizações do terceiro setor caracterizam-se por exercer atividade econômica com finalidade de lucro.
ERRADO. Exercer atividade econômica com fins lucrativos caracteriza o segundo setor (as empresas privadas). O terceiro setor reúne entidades privadas SEM fins lucrativos (ONGs, fundações, associações) que atuam em prol do interesse coletivo, complementando o Estado. Já o primeiro setor é o próprio Estado (governo), voltado ao interesse público.
4E's
A eficiência relaciona-se aos fins e resultados (fazer a coisa certa), ao passo que a eficácia relaciona-se aos meios e métodos (fazer certo).
ERRADO. Está invertido. A eficiência relaciona-se aos meios e métodos, é 'fazer certo', com foco no uso racional dos recursos; a eficácia relaciona-se aos fins e resultados, é 'fazer a coisa certa', atingir o objetivo. Um processo pode ser eficiente (sem desperdício) e ainda assim ineficaz (não alcançar a meta), e vice-versa.
4E's
A eficiência liga-se aos meios e métodos (fazer certo); a eficácia liga-se aos fins e resultados (atingir os objetivos).
Os quatro E's medem dimensões distintas do desempenho, e a banca vive trocando as duas primeiras: dá para ser eficiente sem ser eficaz (executar muito bem algo inútil) e eficaz sem ser eficiente (bater a meta desperdiçando recursos). A efetividade olha o efeito real sobre o público ao longo do tempo, e a economicidade, o custo de obtenção dos insumos.
Efetividade
Na área pública, a efetividade ocorre quando os bens e serviços resultantes de determinada ação alcançam os resultados mais benéficos para a sociedade.
CERTO. Dentro dos 4E's (eficiência, eficácia, efetividade e economicidade), a efetividade mede o impacto real e a transformação social gerada, não apenas a entrega. A pista da banca é a expressão 'resultados mais benéficos para a sociedade'; não confunda com a eficácia, que se contenta em alcançar a meta sem aferir o benefício de longo prazo.
Economicidade
A economicidade consiste em minimizar os custos dos insumos, sem comprometimento da qualidade, considerando as alternativas disponíveis no mercado.
CERTO. A economicidade integra os 4E's e trata da dimensão dos custos: obter os insumos necessários pelo menor preço, comparando as alternativas do mercado, sem sacrificar a qualidade. Não a confunda com a eficiência, que relaciona recursos a resultados (produtividade); a economicidade olha especificamente para a boa aquisição dos insumos.
4E's
Alcançar resultados corresponde à efetividade, enquanto alcançar os resultados mais benéficos para a sociedade corresponde à eficácia.
ERRADO. Está invertido. Alcançar os resultados/metas pretendidos corresponde à eficácia; alcançar os resultados MAIS BENÉFICOS para a sociedade, o impacto e a transformação real, corresponde à efetividade. A efetividade é a mais exigente dos 4E's, pois vai além da entrega e cobra o benefício efetivamente gerado à coletividade.
Planejamento
O planejamento é a função responsável por definir objetivos e os meios para alcançá-los, tendo os planos como seu principal produto.
CERTO. O planejamento é a função que define objetivos e os meios (cursos de ação) para alcançá-los, sendo a primeira do processo, pois precede as demais. Seu principal produto são os planos, que formalizam o que fazer, quando e com quais recursos. Não confunda o planejamento (o processo) com o plano (o documento resultante).
Referência
Chiavenato / Dale
Organização (função)
A distribuição de tarefas e recursos, bem como a atribuição de autoridade e responsabilidade, são atividades típicas da função de planejamento.
ERRADO. Distribuir tarefas e recursos e atribuir autoridade e responsabilidade são atividades típicas da função ORGANIZAÇÃO (o 'O' do PODC), que estrutura e dispõe o trabalho. O planejamento apenas define objetivos e meios; quem monta a estrutura, agrupa tarefas (departamentalização) e designa quem faz o quê é a organização.
Direção
A direção diz respeito ao relacionamento interpessoal do administrador com os subordinados e abrange liderança, motivação, comunicação e orientação.
CERTO. A direção é a terceira função do processo administrativo (PODC) e a única que atua diretamente sobre as pessoas, acionando-as para executar o que foi planejado e organizado. Por isso abrange liderança, motivação, comunicação e orientação; não a confunda com a organização, que estrutura recursos, nem com o controle, que verifica resultados.
Referência
Chiavenato (2015)
Controle
A função de controle compara os resultados obtidos com os objetivos planejados e adota ações corretivas, assegurando que as coisas ocorram conforme o planejado.
CERTO. O controle é a última função do processo administrativo e fecha o ciclo: estabelece padrões, mede o desempenho, compara os resultados obtidos com os objetivos planejados e adota ações corretivas. Seu propósito é assegurar que as coisas ocorram conforme o planejado, realimentando (feedback) o próprio planejamento.
Funções administrativas
A função que conduz e motiva as pessoas rumo aos objetivos é a direção; a que molda a estrutura e distribui tarefas e recursos é a organização.
As quatro funções repartem-se em dois eixos: planejamento, organização e controle lidam com objetivos, estruturas e resultados, enquanto a direção é a única voltada diretamente às pessoas, apoiada em liderança, motivação e comunicação. A pegadinha clássica é atribuir à organização a condução das equipes, quando ela apenas define quem faz o quê e com quais recursos.
Processo administrativo
As funções administrativas (PODC) são estanques e isoladas, executadas em sequência rígida e sem interferência mútua.
ERRADO. As funções do PODC não são estanques nem executadas em sequência rígida e isolada; formam um processo cíclico, dinâmico e interativo, em que planejar, organizar, dirigir e controlar se influenciam mutuamente e se repetem continuamente. Além disso, ocorrem em todos os níveis (estratégico, tático e operacional), e não em etapas separadas.
Papéis do administrador
Mintzberg identifica dez papéis gerenciais do administrador, agrupados em três categorias: interpessoais, informacionais e decisórios.
CERTO. Mintzberg observou o cotidiano dos gestores e identificou dez papéis, agrupados em três categorias: interpessoais (figura de proa, líder, ligação), informacionais (monitor, disseminador, porta-voz) e decisórios (empreendedor, solucionador de distúrbios, alocador de recursos e negociador). Não confunda esses papéis com as três habilidades de Katz (técnica, humana e conceitual).
Papéis do administrador
As três categorias de papéis gerenciais de Mintzberg são: interpessoais, informacionais e decisórios.
Mintzberg chegou a esses papéis observando o que os gerentes de fato fazem, e não partindo das funções clássicas do processo administrativo. A ordem tem lógica de fluxo: o gestor primeiro se relaciona (representação, líder, ligação), o contato lhe dá acesso à informação (monitor, disseminador, porta-voz) e a informação vira insumo para decidir (empreendedor, solucionador de distúrbios, alocador, negociador).
Papéis informacionais
O administrador que dedica boa parte do tempo a prestar informações a stakeholders externos e à mídia sobre as atividades e resultados da organização exerce o papel de porta-voz (informacional).
CERTO. O porta-voz é um papel informacional: transmite informações da organização para o ambiente externo (stakeholders, imprensa, público). Cuidado para não confundi-lo com o disseminador, também informacional, mas que leva a informação para DENTRO da organização, e com a figura de proa (interpessoal), que apenas a representa em atos simbólicos e cerimoniais.
Papéis decisórios
São papéis decisórios do administrador: empreendedor, solucionador de distúrbios, alocador de recursos e negociador.
CERTO. Os quatro papéis decisórios de Mintzberg são empreendedor (inicia mudanças e projetos), solucionador de distúrbios (reage a crises e conflitos), alocador de recursos (distribui recursos e prioridades) e negociador (representa a organização em negociações). É o grupo em que o gestor efetivamente decide, distinto dos papéis interpessoais e informacionais.
Habilidades do administrador
Segundo Robert Katz, o bom desempenho do administrador exige três tipos de habilidades: técnicas, humanas e conceituais.
CERTO. Katz aponta três habilidades: técnicas (uso de métodos, conhecimentos e equipamentos específicos), humanas (trabalhar com e por meio de pessoas) e conceituais (visão do todo, abstração e diagnóstico). Elas se combinam de forma diferente conforme o nível hierárquico; não as confunda com os dez papéis gerenciais descritos por Mintzberg.
Habilidades do administrador
As habilidades conceituais preponderam no nível operacional, ao passo que as habilidades técnicas preponderam no nível estratégico.
ERRADO. Está invertido. Segundo Katz, as habilidades técnicas predominam no nível operacional (mais próximo da execução), enquanto as conceituais predominam no nível estratégico/cúpula (visão do todo e do longo prazo). As habilidades humanas, por sua vez, são importantes em todos os níveis, com destaque no nível tático (intermediário).
Habilidades do administrador
As habilidades técnicas preponderam no nível operacional; as conceituais, no nível estratégico; as humanas são relevantes em todos os níveis.
Katz relaciona o tipo de habilidade ao nível hierárquico: quanto mais alto o cargo, mais o trabalho exige abstração, visão sistêmica e diagnóstico; quanto mais baixo, mais exige domínio de métodos, ferramentas e procedimentos. A habilidade humana aparece em todos os níveis, mas pesa mais no intermediário, porque o gerente vive de traduzir a cúpula para a operação.
Habilidades humanas
As habilidades humanas, relacionadas ao trato interpessoal e à liderança, são necessárias em todos os níveis organizacionais, com preponderância no nível intermediário (tático).
CERTO. As habilidades humanas dizem respeito ao trato interpessoal, à liderança, à comunicação e à motivação, sendo imprescindíveis em todos os níveis, pois em qualquer posição se lida com pessoas. Sua preponderância aparece no nível tático/intermediário, que faz a ponte entre a cúpula e a operação; as técnicas dominam no operacional e as conceituais no estratégico.